terça-feira, 19 de julho de 2011

Lenda Íntima, Latente Inebriante e Ardente, Natural

Diversas vezes ao entardecer
Quando o sol se punha, no horizonte
A sumir, e a arder
Em saudade ardia, e doía, o meu viver
Eu não sabia, se a fundo ia
Na luta da busca, incessante dia-a-dia
Ou se jogava a toalha
Aceitava a noite, escuridão tão fria
E desistia...
Procurava um alento, em outros olhos, outros tons
Dourados tons, sempre prevalecia
Ah, quantas bocas e jeitos, sorrisos e sentimentos
Fiz brincar por não querer
Mas por buscar, te esquecer
Não que eu quisesse, mas sua ausência
Me impunha, e então eu ia
Desculpe a todas que beijei, e em ti pensei...
Era impossível: eu nunca conseguiria
E o meu destino era seguir com sua imagem
Pétrea, no meu coração e mente
Eternamente
Quando o horizonte não mais tocava o mar com aquele sol dourado
Em que eu te via
E os sons não me eram mais alegres, como sua voz
E meu sorriso não mais brotava, como uma semente estéril
Eis que a sua luz, tão novamente
Vem para aqui, e me alumia...
De alegria, me enche e de gozo, me irradia...
Como tem poder, de me fazer ver tão diferente, assim o dia?
Queria saber explicar essa força, motriz, que me deixa feliz
E me move
Na direção, do puro amor.
Verdadeiro, único, incomparável
E ao mesmo tempo inexplicável.
Te amo e é verdade, e você sabe
Te amo e não sei mais viver sem você por perto
Te amo e se esse verão que você trouxe novamente
Tão de repente
Se acabar...
Acho que definitivamente, inexoravelmente
Posso dizer:
Serei  cego pra amar, e na vida sem sentimento
Fria de inverno
Me deixarei levar, pra não mais voltar.

terça-feira, 14 de junho de 2011

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

COMO DIZER ADEUS


Tento dizer adeus,mas algo me impede
Não me afasto de você definitivamente
porque a amizade é sincera
E em nome dessa nossa amizade,
não poderia fazer isso
Dói demais...
Dói demais a sua falta
Mas dói mais ainda saber que nao posso me dar por apaixonado
Dói tudo,a dor chega a ser fisica
Sinto, quero fugir
Venho...
Não consigo fingir
Tento, e quanto mais eu insistir
Percebo... que nao adianta eu me iludir
Bato no meu coraçao... ralho,repreendo
Mas, se tento escapar, sou incompetente, na tentativa
Falho!...
Sinto a mente misturada
Assim como um grande, de amor em jogo, baralho
E quando saio correndo, me travo,
E em ti em pensamentos, me espalho
Sabe, é assim que funciona
Contigo, as palavras fluem
Não gasto horas, para rimar
Para poemar
Para me expressar
As palavras vem... como vieram agora
E quando menos espero elas me denunciam
Revelam o que tento negar...
Eu só sei te amar!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sobre segundas e segundas...

O sol nasce em todos os montes e recantes de Minas Gerais... e após mais um domingo de clássico (clássico?), nós levantamos, entre torcedores do maior de minas e do outro time citadino, e tomamos nossas obrigações. Pra todos nós, o dia de hoje começou triste e com pensamentos de que aquele jogo de ontem poderia ter sido diferente, sobre os números e análises frias do jogo. Para as Rosanas, o dia começou radiante e com certeza até o meio dia ainda estavam atordoados pelo alívio de não passarem mais um vexame depois de longos anos seguidos tomando de mão cheia e sendo humilhados...

Mas o dia passa, e a cor do céu a tarde nos mostra que o eclipse de ontem já foi embora... E caso não houvesse eclipse, a turma dos azuis teriam repertório pra zoar as frangas até o próximo jogo que se daria só no ano que vem. Mas essa é a diferença. Justamente aqui encontramos a diferença da segunda-feira pra nós, perdedores de ontem, e pra elas, as cacarejantes de momento. Nossa segunda se resume numa tristeza pela manhã, pela derrota, como não poderia ser diferente, mas ao nos tomarmos pelo tédio racional desse dia que corta nossa felicidade de fim de semana, vimos que estamos na ponta da tabela, dependendo somente de nós mesmos pra sagrarmos campeões, e mesmo que não sejamos, saberemos que mais um ano a história se repete: terminamos bem a frente da turma rosada que fica alegre só por poucas horas.

Já a segunda delas... começou festiva... nada mais justo, afinal elas estão levando sapecadas já há um bom tempo, e é bom que fiquem felizes por umas horas. Notem, elas, as Rosanas FICAM felizes, porque SER feliz é estado natural de cruzeirense. Atleticanos ficam felizes, não são... sabem por que? Porque pra eles a segunda além de ser o dia tedioso como pra nós e os garfields da vida, após a euforia do alívio de nao serem chacoteadas após  o clássico, começam a cair em si e olham pra tabela e vêem que estão ali... quase na segunda (e não é o dia, rs)... aí o dia de hoje começa a lhes dar realmente o significado que têm pra todas Rosanas... Que segunda lhes lembra perigo, alerta, sinal vermelho ligadaço. Porque a segunda, pra nós é só um dia de alegria ou tristeza depois de domingo, mas pra elas, em que pese a pequena alegria conquistada, volta a ser e ter nome de FANTASMA... um fantasma que nunca irá sair de suas almas e suas camisas mal assombradas, porque elas podem até sair da SEGUNDA, mas a SEGUNDA nunca irá sair de suas histórias...


Uma boa segunda pra nós, guerreiros dos gramados, mesmo com a ressaca da derrota
E uma ótima segunda (DIA) pras rosanas poderem comemorar o eclipse momentâneo... e que sofram mais na outra SEGUNDA do que nessa de hoje.


Vamos subir galô...

ahahahaha

Ser cruzeirense é não ter medo das SEGUNDAS.

ORGULHO DE SER CRUZEIRENSE

Cruzeirense não se rebaixa ao tom atleticano de zoar e ser feliz somente uma vez a cada 3 anos, em que esporadicamente ganham um clássico. O Cruzeirense tem nas veias o sangue do orgulho de sempre ver seu time disputar na ponta da tabela todo campeonato que está presente. Já as frangas, restam-lhes gastar o estoque de foguetes e tirarem as camisas cheirando de naftalina num evento que acontece tal qual eclipse, de tempos em tempos... Mas como nos eclipses o céu que outrora era azul fica preto e branco, logo logo, rapidinho o céu volta a ter sua cor natural e que nos dá o orgulho de ser cruzeirenses: AZUL.

ser Cruzeirense é saber que nunca vamos sorrir no domingo por termos ganhado do maior rival e na segunda já estarmos fazendo conta pra não cair. Ser cruzeirense é perder um jogo, ficar triste algumas horas mas depois abrir o peito e gritar: NÓS LUTAMOS POR TÍTULOS.

Aos rivais (rivais???) resta o medo de mais uma vez não repetir o vexame do descenso... Boa sorte, Guerreiros. Orgulho é nossa marca... Aos rivais (?), comemorem o eclipse, que a segunda divisão lhes ronda ano após ano.

Orgulho de ser CRUZEIRENSE.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A Febre

A febre que me toca, e arde
a pele reage
falta coragem e o ânimo já não faz alarde
Entrevejo meus olhos vermelhos
na tela opaca, mas brilhante que ofusca
Sai a língua pra fora
e prova o betumoso amargo
da pastilha, que evita
meu tossir
E junto com a água morna, o pó seco
que quase regurgita
se misturam em engolidas, e os ombros doem
Deliro. Suspiro.
Procuro um abrigo e vejo meu edredom
que convida pro fim do frio
desse estado febril que dilacera e desanima
me enrolo feito uma pupa casular
e espero o amanhã, em Deus
em pastilhas
em vapores amargosos;
sarar.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

LANÇO-TE AO MAR

Lanço-te ao mar, cinzas de minh'alma
nas torrentes turvas, afundar-te-á
Em torvelinhos, às profundezas
levando consigo, a tristeza
tão má.
Ah, cinzas molhadas, antes mesmo
de ter com a água salgada
já era, assim
do sal dos meus olhos
em pranto derramado. Sofrido
Vá... cinzas que foram
o fogo do amor
que queimaram e arderam
com todo furor
em meu peito tão vivo, um dia
torna-me, mar
com sua explêndia retribuição
como lenda
a minha alegria.
No seu borbulhar espumante
Espero me dar
Tranquilidade, um instante
e que as correntes ciclônicas
leve as cinzas lacônicas
do que foi um dia, paixao, tão platônica
Esfumaça, mar bravio... e me dá a certeza
que o meu desvario
Era, em verdade sabida
uma alucinação incontida.

MORANGO COM LEITE


linda... dourada
com seus olhos brilhantes, vermelhos como um morango, de paixão incandescente
minhas mãos, entremeadas entre seus lábios, brincando  com morangos grandes e reluzentes...
passeava um morango, suavemente devagar e molhado
suado de gelado...
suado de gelado que esquentava com o toque em seus lábios mornos
molhados, também...
a ponta do morango brincava
brincava e trazia seu lábio inferior pra fora
e você abria a boca, e o morango teimava em sair... brincando
brincando, não deixava findar sua mordiscada desejosa
daquela fruta que lhe proporcionava um  prazer de arrepios quentes
até que, num movimento mais rápido, arrancaste a pontinha do morango  
e  o  saboreava entre seus alvos dentes
molhava a boca e sentia o doce em sua língua,
e da sua língua, ele sentia o sabor, contente
e o pedaço que ficara em minha mão
um pedacinho, pequenino, mas suficiente pra pingar gotas de seu sumo,
fazia e me maravilhava com o que eu via
as gotinhas que pingavam  em seu pescoço tão alvo
alvo como leite
e a mistura de cores que se fazia, realmente, me deixava em extasiado deleite
roçava o morango em seu peito... entre seus seios, e a listra vermelho viva contrastava com aquela pele de brancura de nuvens nunca antes explorada... arrepiada
listras rubras que subiam seus seios, e escorriam o caldo deles, para baixo
era como se uma montanha de neve de pico rosáceo, vertesse rios de sangue  sangue de paixão
sangue de desejo
sangue de tesão, pulsante
eu deslizava  o fruto em sumo, deslizava pela planície de sua barriga,
tão clara
que ofuscava de beleza, como areias ao sol do meio dia, do saara
e arrepiava
eriçava-se e contorcia-se em espasmos... um brilho alvo, rubro de sumo,
    que ia se afilando, e ao morango mostrando o rumo
o rumo da ilha, à  espera... de contraste em sua pele,  que eu via
e que exaspera.. ofegante... ia chegando em riscas vermelhas, vermelhas de sumo... de sumo do morango úmido... pois, no final daquele rumo, me esperava o seu amor, molhado!
E mergulhado em seu mar salgado
Me entreguei, extasiado
Num gozo mútuo, e esperado!

GRACIOSA NAMORADA


Ela, que poderia ser
E não é
Mas é, sem saber.
Ela, que me tem todos os dias
Perto
Não sabe que eu a tenho como amor diário e
Certo
Ela que ri das minhas piadas sem saber
Que rio das suas risadas
Que fazem sorrir o caminho de minhas passadas
Em toda, e qualquer hora, da minha jornada
Ela, que sente minha falta, mas
Não sente a dor em mim
Quando me falta.
Eu que a sinto perto, na falta, e dói
Sua ausência que em meu coração
Corrói
Ela, que fez dos meus dias, raios de sol dourados
Paz regozijada, alegria almejada
Ela, que clareia, com seu claro de tom em cor
Ela, que em suas curvas, me alucina
Em sensual deliro de desejos e torpor
Ela, e seus detalhes
Que a mim não são despercebidos, mesmo pequenos
Até aquele do queixo, o entalhe
Por grande que seja, ou muito menos
Ela, diuturna, que preenche os meus momentos
Sem, saber, que quando a noite preencho os seus
Sempre raia, dentro de mim, amor puro em sentimentos
Ela, presente dado, pra mim, fruto de Deus
Ela, que me gosta e que sabe
Do tamanho que sinto
Ela, que das minhas raivas já escolada
Até quando minto
Sabe se fazer serena e fala certo, e alivia
Nossa relação tão doce, deixa minha alma extasiada
Ela, que sem saber disso tudo
Sabe ser a minha, que só eu sei
Graciosa Namorada

GRACIOSA NAMORADA 2


Quisera, nos mais belos sonhos meus
Que sempre, sejam eles
De abertos olhos, ou fechados no silêncio
Tocar a pele desejada
De pêlos eriçados e saber
De água em lábios
Que foi por mim excitada, que eu fiz
Por merecer
Quisera, ter a visão
Por eles agora ofuscada
Dos Rios d’oiro que se derramam
Pelas suas lindas espáduas
Seus cabelos como cascata
Brilhante e dourada
Quisera, ser a musa, você
Pra mim
De maciez em tenras penugens
Tal a pele do pêssego novo
Vir tocar minha meu rosto, e me enrubescer
Como as nuvens, branca e macia
E me delirasse
Ofegante num suspiro
E que não parasse, de prazer e alegria
Quisera, dar-me o seu riso
De rouquidão suave, quase muda...
E ter também a profundidade desse teu olhar
Aqui perto de mim, que de estranho carinho
Me vem e inunda
Me faz ter do amor
A esperança mais doce, e mais profunda
Quisera... ah quem me dera
Não mais estar nem mais viver
Nessa louca e distante espera
E um beijo seu, no meu, eu receber
E ganhar além, um toque de bocas
Molhadas
Quentes
Desejadas
E respirar seu hálito
Sentir o seu perfume
Que imagino, e quisera
De sensações maravilhosas
Quisera...
O conjunto completo
Repleto
De paz e completude
Ter seu jeito travesso
Gentil, ora doce
Até em raras horas rude
Quisera, me satisfazer no seu mel
Passear em suas curvas
Navega-la, ir até seu céu
Quisera eu
Repousar no seu amor
Te deleitar o meu prazer
Ser tudo que eu sou
No seu gosto de mulher, me entreter
Quisera... ah, quisera eu
Que essas linhas que agora lê
Não fossem apenas assim
Mais uma pequena poesia
Que apesar de bela e apaixonada
Não me dão a real certeza, de te-la
Mas também que não me exime
De querer agora e pra sempre
Que você fosse
A minha, bela, a minha doce e eterna: graciosa namorada.

A HISTÓRIA DE UM CARA QUE VIROU FEIJÃO


“Na próxima encarnação serei… um feijão! Ou melhor, um feijão preto. Ah como eu gostaria de estar em sua feijoada, aí vc sentiria meu gostinho e diria:
- Que gostoso esse neguinho!!!”



*****************A História de um cara que virou feijão********************



Noite de 5 de agosto de 1995, 20:17 horas. Tempo bom e temperatura agradável.

Eu ia andando tranquilamente para o ponto de ônibus  e, confesso, com algumas cervejas na cabeça. Tudo tranqüilo até que, sem perceber o sinal para pedestres fechado, atravessei a rua num ato absurdo de não olhar o que vinha trafegando pela mesma.
Quando dei por mim e fui olhar para os lados, já no meio da rua e sem chances de escapar, vi aquele veículo rústico e forte em alta velocidade vindo em minha direção. Já consciente de que não tinha chances de me esquivar do veículo, apenas fechei os olhos e esperei o impacto da colisão.
- Poft!!! Senti meu corpo sendo lançado ao ar. Contrariando as leis da gravidade, ele ia subindo, subindo, subindo. Até que finalmente, respeitando as leis da gravidade, desceu. No tempo decorrido da descida , pude perceber a força da colisão: Vi – meu Deus, que desgraça – o veículo perdendo o controle e foi direto ao encontro de um poste. O veículo, lotado e sem chances também de se esquivar da estaca de concreto, se arrebentou, lançando o motorista pra fora. Vi também, pelas laterais do veículo, um líquido vermelho, que escorria até o chão. Eu ainda descendo, e já bem perto do chão, vi ainda o motorista se levantar, meio tonto pelo impacto da batida, olhar para o lado e... num grito ensurdecedor, ajoelhou-se ao chão, dizendo:
- Não. Meu Deus, não pode ser!
Tive então tempo de olhar para o seu lado e ver que – Meu Deus, não pode... mas era – O seu cavalo esfacelara-se no poste, e não pudera escapar. Na certa morreu de traumatismo craniano. Nesse mesmo instante olhei para o lado e vi que o líquido vermelho que pingava ao chão, descia de muitos corpos esmagados no interior do veículo. E ainda ouvi o motorista gritar:
            - Meus tomates, meu Deus, esmagaram-se todos! – passando ao mesmo tempo a mão na polpa vermelha que escorria pela lateral de sua carroça.

            De repente: CAPLUM. Finalmente cheguei ao solo, batendo co a cabeça no meio-fio. Senti meu corpo paralisar e minha alma desprender-se dele.
            Já no hospital pude perceber o médico dizer:
            - Não há mais nada possamos fazer. Pode desligar, enfermeira.
            - Morri? Morri. Meu Deus, nããããão...
            Foi então que já pude perceber meu velório: muita gente triste, chorando. Mas também alguns, assim, não muito tristes, e outros até por assim dizer, contentes. Também, eu não era nem um modelo de santo, não é mesmo?
            Começaram então o cortejo funeral, saindo com o féretro com destino ao cemitério... e quando vi minha sepultura... – Que massa!!! – pensei comigo: - mamãe cumpriu meu pedido, mandando lapidar no sepulcro o meu pensamento sobre a morte.
            Sepultaram-me e foram todos presentes embora, e eu fiquei sozinho ali. Eu e minha sepultura -  um pouco fria, mas confortável.
            Quando pensei em dar uma volta e conhecer alguns assim, digamos, “como eu”, notei um clarão vindo do céu, e vi São Pedro surgir por entre as luzes. É gente, o Pedrinho, surgiu e me chamou para acompanhá-lo até “lá em cima”
            Falei:
            - Poxa, Pedroca, tinha uma gata no sepulcro ao lado, não dava pra ir mais tarde?
            -Não meu filho, você tem de ir já. Ordens do Todo-Poderoso...
            - Mas por que ela então não subiu ainda, se já morreu há mais tempo que eu, como pude ler no seu jazigo?
            - Porque meu filho, ela era uma... uma... p... pecadora, e tem que ficar no intermédio; por vocês chamado de purgatório, para se purificar. E você; bom, você sempre foi um rapaz... é... como direi... ham... equilibrado...
            E quando desviei os olhos do Pedroca...
            - aaaaaaaaaaiiiiiiiiiiii... caraaaaaaaca! – estava a uns dois mil metros de altura.
            - Calma, filho, agora você tem o dom de voar, é um espírito – disse São Pedro, calmamente
            Foi então que liguei meus “motores e comecei a fazer manobras radicais, enquanto subia aos céus
            - Iurruuuuuuuuu, iupiiiiiiiiiiiii, que legal – cortava os céus a uns 300 km/h – ooooooooops – quase trombei de frente com um Boeing 747-300 que passava por ali
            - Credo, se bater nesse daí não sobra nem pena das minhas asas – e continuei com meus malabarismos aéreos e...
            - HAM, HAM, HAM...
            Olhei e vi Aquele Ser Magnífico, Divino, e...
            - Esta é sua nuvem, meu filho – disse Deus
            Olhei para o meu novo dormitório e até que era agradável aos olhos. Agradeci ao Senhor e... ZUPT, sumiram, Pedroca e Ele. Fiquei ali sozinho. Comecei então a fazer umas bolinhas de nuvem e... BLARGH, CUSP. Não eram como algodão doce, como diziam meus pais quando eu era criança.
            Olhei para baixo e pude notar umas pessoas ao redor ta minha tumba. Dali de cima, tão longe, não dava pra notar quem era. Seriam meus pais? Meus amigos? Mas que agonia, quem poderia ser? E aproveitando que Pedroca e Ele não estavam por ali, resolvi descer e conferir.
            Liguei meus “motores” e VRUUUUUUUUM, quando cheguei, vi que eram quatro rapazes em volta da minha tumba jogando truco. Minha tumba servia de mesa, e amparava as cartas do baralho, copos de – oba, que delícia – vodca, carne seca, alguns objetos e o que??? Parafernálias para o uso de... Maconha?
            Sentei ao lado de um deles e fiquei observando aquela farrinha. Até que, conversa vai, bebida vem, fuminho vai, viagens vêm, resolveram ir embora. Ao recolher as coisas, um tento usado na contagem dos pontos do truco, necessariamente um bago de feijão, caiu. Caiu e rolou até um buraquinho bem ao lado da minha sepultura, certamente feito por algum besouro rola-bosta. O baguinho de feijão entrou por esse buraco e caiu então sobre o meu... – AAAAAAAARGH – cadáver.
            Nossa, eu estava todo podre, preto-arroxeado e fedendo, fedendo – UGH – a rato morto. Nos meus restos putrefatos, dançavam livremente os vermes, as varejeiras, os bichos escrotos comedores de matéria orgânica decomposta.
            Então: PLUFT. O feijãozinho preto, usando como tento se aninhou em cima do meu – se é que se pode chamar aquilo de corpo – meu corpo putrefato.
            Logo após, precipitou-se uma chuva forte, e com a infiltração da água no solo, encharcou todo o espaço onde estava depositados os meus restos. E aquela água acumulada, junto com o movimento dos vermes, colaborou pra que aquilo tudo virasse uma tremenda papa preta, de carne podre, ossos, vermes, terra, e... o feijãozinho preto.
            Quando a chuva se foi, surgiu um sol intenso e rapidamente a água evapourou-se dali, ficando uma pasta orgânica e nela, o feijão preto. Aquilo ali, apesar do odor desagradável e forte, representava literalmente um ambiente propício para... – PLOC – e o feijãozinho brotou. Também, com aquele adubo orgânico que se formara – e modéstia a parte, se formara do meu corpo – com certeza era um excelente adubo, e só podia era brotar mesmo.
            E o brotinho de feijão, por intermédio de um raio de luz que se infiltrava pelo mesmo buraco buraquinho do besouro, começou a crescer, e subir em direção à luz. Foi subindo, crescendo, em direção ao orifício que iluminava a cova, quando de repente – TUP – saiu para a superfície. E com o passar do tempo se transformou num lindo pé de feijão preto.
            CABRUM. POU. TRUM. – escutei assustado. Era o Pedro, atrás de mim, furioso
            - Como pôde sair do céu e vir para este reduto do pecado? Como?
            - Mas Pedroca...
            - Nada de mas, ELE tem uma surpresa pra você. Vamos.
            Subimos aos céus de novo. E lá estava Ele, com os Seus Olhos fixos nos meus e com Ar de descontentamento. E disse:
            - Você, filho, infelizmente desobedeceu as regras e desceu ao reduto do pecado, e como castigo terei de reencarná-lo. Só que dessa vez sua vida terá um curto período, e você morrerá esmagado, para aí então poder ficar lá, preso no intermédio, para se purificar de seu erro de agora.
            Então, pensei no meu acidente ocorrido há pouco tempo. Ele que já fora violento, imagine o próximo então? Com certeza haveria de ser esmagado por uma Scania, ou coisa assim.
            - Não, meu filho. – disse Ele – você não irá voltar como humano, e sim como feijão, e agora... vá!
            De repente vi que não estava mais nos céus. Estava descendo novamente e, ao longo da descida, imaginava como é que, sendo feijão, poderia, e iria morrer esmagado? Também, nem sabia que feijões morriam. Fiquei tentando entender aquilo tudo, até que... espere... este lugar eu conheço!
            Era a minha tumba. A mesma em que presenciara os caras jogando o truco...
            E surpreso ao olhar pra mim mesmo, verifiquei que eu era o mesmo pé de feijão que crescera na minha tumba, o mesmo adubado por mim; quero dizer, pelo adubo formado a partir do meu corpo podre. Mas... será possível?
            Daí, passaram então três meses. Pensava muito em quando eu era vivo e humano. As coisas que eu poderia estar fazendo agora. Meus amigos, família, projetos, e principalmente naquela garota. Ah, meu Deus, que garota. Ela era tudo pra mim. Sempre sonhei em poder tê-la, e ser dela... sua boca, lábios, seu corpo, sentidos.
            Meus dias agora se resumiam à solidão do cemitério. Apenas alguns insetos pousavam em mim, e só. Ninguém passava por ali, ninguém visitava minha sepultura. Comecei a sentir um vazio imenso e pensava se eu não representava nada naquele mundo, naquele mundo que como diria o Pedroca, era o reduto do pecado...
            Minha vontade agora era de ter sido mais direto, prático, atencioso, mais direito. Me consumia os dias nesses pensamentos: pensava nos sonhos que não conquistei, me contorcia de remorso. Principalmente quando lembrava que deixei de falar com a pessoa que mais sonhava, e a perdi para todo o sempre. Aquela garota, meu Deus. Meu desejo era agora morrer o quanto antes, e pagar com toda eternidade no purgatório, pra aprender a não deixar de, ao menos, tentar realizar os meus sonhos. Ah, e como eu queria que...    
            - Mas o que é que? Como pode? Será que?... não, não pode ser... mas é. – é sim é ela, é ela.
            De repente eis que surge ela, e senta em minha tumba e começa a rezar baixinho para minha alma. Dizia que queria sempre ter me conhecido melhor, ter tido a chance de poder conversar mais comigo.
            Eu não podia acreditar no que presenciava: a mulher que eu mais desejei, sentia alguma coisa por mim, e eu não me conformava agora em não ter dito para ela o que eu sentia, e ter quem sabe, conseguido seu amor.
            Após algumas orações, ela se levantou, despediu-se com carinho e num ato incompreendido por mim, colheu-me e levou-me junto com ela. Mas que bom... sentia sua mão deslizar pelo meu caule. Sentia seu perfume. E eu não podia entender mesmo assim o seu ato, de colher um simples pé de feijão na beira de uma tumba. Foi então que um murmúrio seu cortou minha alma, bem fundo. E me mostrou como eu era um ser egoísta, me mostrou como eu não reparava que as pequenas e simples coisas, como um pé de feijão podiam representar muito para as pessoas que gostam, que amam.
            E foi isso. O que ela disse foi exatamente que com aqueles grãos de feijão, dos quais eu era um e ela não sabia, por estarem ali na minha última morada, estavam me representando, e com eles ela faria uma feijoada em memória de mim e a comeria, e mastigaria devagarinho, para que sentisse aqueles feijões como se estivesse me sentindo.
            Assim como eu imaginara senti-la, ela também imaginava a mesma coisa comigo. Meu Deus, era a glória esse momento. Estava feliz, sem arrependimentos, sem remorsos.
            Ela me preparou com carinho e capricho. Cozinhou-me e colocou-me em seu prato. Pegou o garfo e ah... me levou de encontro à sua boca. Meu Deus, agora eu sentia sua boca, sua saliva, sua língua... que sonho bom era aquele momento. Ela me mastigava devagar, enquanto dizia baixinho me sentir; e sem saber que, sentia mesmo. E eu, estava no céu agora... mas tudo então começou a escurecer, me senti entorpecer, perdendo os sentidos, parecia que... ah, agora me lembro: ELE disse que eu iria morrer esmagado. Mas eu me sentia era vivendo, vivendo intensamente, e não morrendo. Vivia. Vivia agora maravilhosamente extasiado entre seus dentes, sua boca, até que... tudo se acabou novamente.
            Voltei ao meu estado de espírito e novamente á minha boa e velha cova. Agora estava eu ali, sozinho novamente. Mas feliz. Muito feliz em ficar no purgatório, pois aquela foi a melhor coisa que me acontecera até então. Senti a garota, ela me sentiu.
            De repente me dei conta que as maiores coisas, as mais belas coisas, estão nas menores representações possíveis, desde que haja amor. Aprendei que nunca é tarde para amar e que quando se tem algum sonho, algum desejo, é preciso batalhar para conseguir, sob pena que depois ter de ficar se remoendo de arrependimentos. Mas se batalhar com amor, haverá a recompensa, como houve agora.  Agora eu pensava em passar o purgatório todo feliz, quando escutei:
            - Filho!
            Olhei e vi o Pedroca, com um semblante feliz, sereno, e fiquei surpreso
            -  Vamos filho, Ele o chama.
            - Não, Pedro, tenho que ficar para...
            - Não, filho, Ele o perdoou, pois você viu, sentiu e arrancou o remorso, o arrependimento de dentro de ti. E era isso que Ele queria.
            Fui para o céu, e voltei para minha velha e macia nuvem, com a certeza de que qualquer coisa que se faça, deve ela ser feita com AMOR. Pois se há amor, não há a mínima chance de haver arrependimento.

A ROSÁCEA PELE DE CANDURA


A rosácea pele de candura
Revestida
Sorriso doce e espontâneo de uma criança
Ofusca o sol
Quando o dourado que se balança
Dos seus cabelos, irradiando, em linda dança

É alegria, pura e profunda
Amor folgado
Amor desejo
Amor peralta
Amor mulher
Amor perfeito
Amor que exalta
Que chega, embora, impermissivo
E nos inunda

Se o mundo é triste
E complicado, por natureza
É que não sabes, de todo ele, a sua beleza
Beleza única, que vem de dentro
Do fundo d’alma
Percebem todos, que te conhecem
Mantém a paz, mantém a calma

Tentam achar, em consultórios
Em teorias, televisão
Mas é tão fácil, direi tão simples, a ele achar
Está no brilho e na beleza do teu olhar
Está na cor, na cor perfeita, de sua tez
E no dourado, dos seus cabelos, digo outra vez

Mas mais visível, está
O amor buscado
Tido em questão
Ta no carinho, é tão explícito
Em seu coração

UMA VEZ, UM AMOR


Um dia eu te idealizei.

Numa folha em branco eu te criei. Acho que era um sonho incontido, uma esperança vaga. Você não existia; e eu não sabia que as palavras te dariam uma voz, um corpo. Em cada sílaba eu te esculpi. E faltou o sopro da vida.

Eu, garoto das nuvens, levei as mãos ao rosto quando parei de sonhar. Cedo, alguém me mostrou que a fantasia é inútil. Ah, eu a acompanhei. Você, sem saber que continuava uma folha (que o tempo amarelaria), seguiu seu caminho e também descobriu que o sonho passa. Você não podia aceitar que fora criada e, se assim o fizesse, diria que era só um fantasma perto do que eu imaginei. E como ficou feliz por te dizer: "sou eu".

Eu não a transformei em palavras. Nunca. Você já existia num escaninho da minha imaginação. Não, eu não a criei. Mas esperei por você. Aí você me apresentou o real. Saiu de uma folha e apareceu. E aí, já não esstava mais num canto secreto, mas diante de mim. Senti o calor da sua mão, toquei seu rosto e um beijo brindou nosso encontro.

- Fica comigo?
- Não posso.
- Por que não? - perguntei
- Eu estou em uma folha

E nem por isso o sonho permaneceu. Você se despediu. Meus olhos a seguiram. Uma silhueta se perdeu na distância. Perguntei a mim mesmo se também não poderia me transformar em letra e tinta. Pensei que tudo isso exigiria um novo epílogo. De criador passei a ser criatura. Os meus dedos procuravam as teclas que me dariam outras letras, com uma idéia feliz, um THE END sem retoques.

Na tela do computador, códigos verdes num fundo escuro refletiram meu desejo de vê-la. O cenário poderia ser a plataforma de uma estação de trem, uma praia, uma pedra à beira mar, um corredor, um estacionamento... Escolha!

Ah, sim, você veio em minha direção. Também corro ao seu encontro e a envolvo num abraço. Um beijo. E, por ter imaginado diversas vezes essa cena, devo incluir um giro nos calcanhares acompanhado de um riso divertido.

- Fica comigo?
- Por que demorou? – Você pergunta
- Eu sempre estive aqui.
- E por que não o vi antes? – insistiu
- Porque só agora resolvi mudar a história.

Nós ficamos juntos, finalmente. E tudo que poderemos viver juntos a partir de agora: música, um vôo, um mergulho, chuva, sol, diversões, amigos, cavaleiro mascarado, rosas, amor, tudo, tudo agora nos pertence. E sabe quando isso pode acontecer? A todo instante que tivermos um ao outro com amor, carinho e sinceridade.

Mas... se nós estivermos voando num tapete, só espero não lembrar-mos um ao outro que: “tapetes não voam”.

O SEGUNDO SOL


Eu estava indo pra praia naquela manhã de sábado, e no som do carro ouvia aquela música de Nando Reis cantada por Cassia Eller: "quando o segundo sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas..." e fiquei imaginando como seria a terra se realmente houvesse a chegada de um segundo sol... filosofando vendo a paisagem passar rapidamente pela janela do meu carro.

Já no estacionamento reservado, desci com as tralhas básicas, em uma espécie de carrinho adaptado pra levar até a areia essas coisas... claro, uma boa cadeira com revestimento de gore tex pra respiraçao da pele, e num dos braços uma cavidade propria, acolchoada com material anti-termico pra conservar aquelas latas de bohemia trincando de gelada... dois livros interessantes indicados por um amigo ao sair de férias, um ipod recheado de sucessos dos anos 80, uma caixa cheia de petiscos e bohemias geladas, e um bloco de notas pra anotaçoes dos meus devaneios e possivel criaçao de textos depois... Sim, esse final de semana na praia ia ter um objetivo maior: o merecido descanso, sozinho, sem perturbaçoes, de cabeça limpa e vazia, depois de muitos meses de trabalho estressante.

Tudo arrumado no meu cantinho na areia, guarda-sol aberto, as coisas organizadas ao lado, oculos escuros no seu devido lugar, estirei-me como um leitao quando ve uma palha de arroz nova chegar ao chiqueirinho imundo... aninhei na minha poltroninha e abri aquela latinha de boemia geladaça... abri o livro e entre uma olhadela e outra na historia que se desenrolava ali nas minhas maos, passeava com a vista no horizonte cheio de curvas e sensualidade que desfilavam a minha frente... realmente, pensei, a mais bela paisagem criada por Deus, o corpo feminino em exuberancia...

com os fones de ouvidos tocando varias musicas entao, nao me saía da cabeça aquela que ouvira um tempo antes... que falava do segundo sol, e ficava eu encucado com esse segundo sol... nas minhas logicas absurdas de que nao tem nada o que pensar, imaginava o estrago que um segundo sol faria, se aparecesse na terra... ou nao??? filosofava e tragava minha gelada, sem delongas preocupaçoes...

As vezes me vinha uma faísca de vontade de experimentar entrar na imensidao azul do mar, povoada agora de lindas morenas e loiras esculturais, que davam a agua um toque mais lindo do que jamais fora. Mas o medo e a matutice de um bom mineiro que nunca tinha entrado naquele tantao de agua, me fizeram ficar ali so tomando uma e observando aquelas curvas que deslizavam molhadas imersas na agua salgada a minha frente...

E de minuto em minuto, nao sei pq vinha aquela sensação do segundo sol, quando ele chegar... acho que eu tinha ficado neurado, ou visto algum programa sobre aniquilaçao da terra em algum canal fechado dias antes, pra ficar nessa neura toda...

E mudando a folha do livro, acompanhado de uma bela golada refrescante de bohemia gelada... que de repente, um clarao a minha esquerda ofuscou toda imensidao da praia... era como uma onda de choque brilhante causada pela aniquilaçao da anti-matéria com a matéria, como um flash fotografico espoucando, só que com força muitas vezes mais brilhante... a despeito de eu usar meu legitimo e bom oculos de sol com proteçao contra raios UVB e UVA e outros U's nao sei o que, fiquei deveras ofuscado com o brilho que se instalara a minha frente...

Era um brilho intenso, de um dourado mágico... ondulante... dourado claro, dourado leitoso... curvilíneo e maravilhoso... queimava minhas vistas de uma forma que me cegava por dentro, me cegava e me fazia enxergar e relembrar sobre o segundo sol que a cantora falava antanho... Era o sol que realinhava a órbita dos planetas dos meus sentimentos... me tocava com um assombro exemplar. Seu cabelo ao vento parecia o brilho de rastro da cauda do mais brilhante cometa...

nao digo que nao me surpreendi, eu nao podia acreditar... Mas eu nao tinha bem certeza... o meu coraçao parecia acelerar... naquela praia... eu só queria agora ir ver de perto aquele segundo sol e minha pele ardia sem explicação... uma ardencia nunca antes experimentada e creio eu que nem o mais potente bloqueador solar surtiria efeito, pois ela torrava de dentro pra fora... e alma regozijava com tamanho brilho dourado...

hipnotizado com o brilho de curvas douradas em suaves trajes discretos de banho, me levantei e como um Ícaro Moderno, munido de raiban no lugar de asas de cera, e por isso sem medo de me derreter, fui de encontro aquele sol que raiava mais que o proprio sol no céu...

E aquele sol, brilhante e único, nao me machucou, como aquele do Ícaro de Antanho, que o jogou por terra... pelo contrário, me fez ter a certeza que esse segundo sol, ao contrario do que imaginava, nao iria causar danos ao mundo, mas sim, fazer com que meu mundo fosse visto com mais beleza, simpatia e amor... e junto daquele sol, passei o meu mais maravilhoso e repleto de amor final de semana...


e de nome simples, nao complicado com tantas siglas que ganham os novos sóis, planetas e galaxias, dadas pelos astronomos, aquele sol maravilhou pra sempre meus dias e nao apenas aquele final de semana... o mais lindo solzinho, brilhante e dourado, amado sol de nome Fabiana.

SURFISTINHAS E MARISES


Há um tempo que venho escrevendo e tentando concatenar opiniões, sentimentos e cotidiano, tentando em cronogramas nem sempre cumpridos (ou quase sempre), mostrá-los às pessoas que porventura se interessem pela leitura. Vários arquivos criados, blogs, rascunhos, folhas soltas pelo quarto, guardam minhas idéias e devaneios, que, devido às dificuldades sempre ficam por ali, encalhados, lidos vez por outra por algum amigo, colega, e outros visitantes. Interessante também é dizer que não só a escrita, fonte de imenso prazer, também procuro ler fontes sobre diversos assuntos, que passam desde história da humanidade, poesias, passando por textos informativos e técnicos e por que não dizer folhetins (que televisivos, pelo vício, os transformo em texto – na minha cabeça)... Dado a esse gosto, e porque não dizer  “dom”, me prendo cada dia mais, com a vontade e idéia fixa de publicar um livro, ou vários, mas primando, lógico, com uma linha de estilo e de qualidade que ao menos interesse o público. Mas o bloqueio me bate à porta, agora com mais constância, sempre quando me sento em frente ao computador... Por que? Ora, lendo sempre meus livros didáticos de literatura e alguns romances de conceituados escritores – Joaquim Manoel de Macedo, Álvares de Azevedo, Drumond, Graciliano Ramos e outros mais – me pego sempre imaginando naquelas épocas em que eles retratam em seus escritos, e com alegria quereria viver àquela época, pois nota-se que realmente, o povo dava o devido valor ao bom texto, ao refinado do escrever. E hoje, o que vejo? Pilhas e pilhas de livros amofinados em bibliotecas escolares, dos mesmos autores acima citados, vários compêndios que são verdadeiros “cruzeiros” pela imaginação, estagnados, mofando, e se perdendo sem os cuidados necessários.  Fico triste, mesmo, ao ver que em livrarias e bancas de jornais hoje, os campeões de venda são revistas com foto-fofocas e cultura do lixo... O bloqueio persiste... não há mais espaço pra alguém querer fazer literatura de bom gosto e viável hoje em dia, ainda mais se o assunto tratado for poemas e versos. Desisto de escrever... ligo a televisão.
            A tristeza se completa ao ver num talk-show da TV brasileira, uma ex-garota de programa “jabazando” seu livro, onde conta suas aventuras e imoralidades, e ainda tendo em seguida, com certeza, um sucesso de acessos em seu site (onde resuma o livro talvez). Tudo bem que a licença poética nos permite escrever sobre coisas dos mais variados temas, sem precisar ter lógica ou outra coisa do gênero, mas o que a entrevista deu a entender, é que o livro, tirando apenas o deleite da curiosidade mórbida da sociedade atual em saber o proibido dos outros, refletindo em sim mesmo seus desejos, não há, digo, com certeza, mais nada que se aproveite dali daquele conteúdo.
            Talvez eu esteja parado no tempo... É isso: de acordo com a didática, as épocas literárias mudam, e hoje eu vivo em outro mundo. Ah, com essa vontade que tenho de escrever... quem sabe faço um regime, pego uma academia, faço alguns programinhas por aqui (que além de me dar dinheiro) poderá me render algumas historinhas pra eu poder escrever um “besta”-seller e ainda aparecer na TV pra “jabazar” meu projeto. Vou lá...

A BOXEADORA


Ele observava seus movimentos, com olhos de águia compenetrada
O gongo soou, após conhecer, e os rounds agora corriam sem a piedade do tempo
Ela o socou, com cruzado de voz, linda e doce, aveludada
Deu um direto de sotaque, em seus tímpanos que então se estontearam
Como uma labirintite que o fulminava, o desiquilibrava
Cada vez que com seus golpes de voze e sotaque lhe apregoava
O fim do primeiro round o salvou da queda, mas era questão de tempo, a queda esperada
No segundo ela voou com uma sequência feroz de jeitos, caras e bocas
Não lhe deu opções, se deu, foram poucas
Sangrava pelos poros, surrado estava, por sua inteligência e sensualidade
E timidez afetada
Caiu, o juiz contou... um, dois, três... levantou e a olhou, queria lutar, e partiu
Foi pra cima dela e com poucos golpes de palavras e poemas a cobriu
Não sabe se a abalou, mas pelo jeito a encorajou
Ela em resposta bateu, bateu e bateu
Girou sobre seu eixo – o coração – e desabou...
Ela venceu por nocaute. Seu coração se apaixonou!

A BUSCA

é bom tua presença, suave e menina
apraz, envolve e anima
ter sua compania
faz do dia, a alegria
lábios desejados, timbre do amor
do sol tem o brilho, a cor
Meu sonho em ti descansa
No afã do abraço teu
Sinto o cheiro dos teus rios
Nas espáduas, dourados fios
A maciez do seu falar
Toca o meu amar, profundo
E esse jeito, que é pra mim
Me faz sentir dono do mundo
Que pode ir além, de um mero querer
E faz lugar, por merecer
Achar a chave, o teu tesouro
Que não é prata, tampouco o ouro
É impossível, de mensurar
Podem tentar, mas não tem jeito
O que move, força motriz
Ta bem guardado, aqui no peito
Move os desejos, o coração...
E o que eu busco, tão diuturno
O seu amor, minha paixão!